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No Brasil, referências mundiais na implementação da Justiça Restaurativa

A Justiça Restaurativa é uma realidade que avança e cresce no Brasil, com a vitalidade e força próprias do anseio coletivo por Justiça enquanto valor universal.

Experiências brasileiras confirmam ser possível as instituições do Estado Democrático de Direito conviverem com alternativas de solução dialogada de conflitos. Demonstram que, mais além do rigor da lei processual e das garantias constitucionais, existe espaço para o encontro, o consenso e a convergência, sem descuidar de conquistas fundamentais como a legalidade, o devido processo legal, a presunção de inocência e a ampla defesa.

Aqui, como no plano internacional, essas experiências convidam a promover a Justiça como direito à palavra, empoderando as pessoas para atuarem na pacificação dos conflitos ou infrações em que estejam envolvidas. Convidam para encontros juridicamente protegidos abertos à expressão da humanidade de cada um, de reconhecimento mútuo, de compreensão da complexidade das causas subjacentes a qualquer conflito. Convidam a cooperar voluntariamente na construção de consensos capazes de promover empatia e auto-responsabilidade de ofensores, a reparar os danos sofridos pelas vítimas e comunidades e a ativar a cidadania, abrindo espaços concretos de participação e corresponsabilização. Convidam para que cada infração ou conflito sirva como oportunidade de aprendizagem e de revelar as subjacentes desigualdades sociais e toda sorte de violências estruturais comuns às sociedades modernas.

Áudio e apresentação do fórum "Justiça Restaurativa - Justiça como valor no Brasil"

O áudio e a apresentação do Juiz Egberto Penido no 99º fórum do Comitê, realizado em 11 de setembro, no Masp, já estão à disposição para download. Basta clicar aqui.

Durante o fórum, Dr. Egberto ressaltou a importância da Justiça como valor, afirmando: "A Justiça não é de responsabilidade apenas do sistema Jurídico, mas também da Saúde, da Educação, da Cultura, da Polícia etc. (sem que isso signifique a omissão do sistema de Justiça quanto à sua função constitucional; mas, ao contrário, que pelo caminho interinstitucional e interdisciplinar, se possa efetivar de modo qualificado esta função). Ela se faz no dia-a-dia, na ação viva de cada um, e é fruto de uma escolha - de todo e qualquer cidadão ao se deparar e responder às dinâmicas relacionais oriundas da teia de relações na qual está inserido e constrói sua identidade. O modo pelo qual responderá àquilo que lhe afetou contribuirá para a situação de desequilíbrio ou para a situação de reequilíbrio do ethos social. É neste balanceamento que a Justiça como valor se efetiva".

11/09: Justiça Restaurativa - Justiça como valor no Brasil

Compartilhamos o mais recente informe da Profa. Lia Diskin, coordenadora do Comitê da Cultura de Paz - parceria UNESCO-Palas Athena, convidando para o 99º fórum, a ser realizado dia 11 de setembro, às 19h, no Grande Auditório do MASP. Entrada franca.
Para ver o programa completo, clique aqui.
Caros parceiros na Cultura de Paz,
Olhando do alto deste 99º Fórum, percebemos uma floresta fecunda e inspiradora de ideias, projetos, realizações, provocações, experiências e sonhos que nos veem alimentando ao longo destes doze anos. E quisemos celebrar o cume dos números de dois dígitos (ou seja, 99) para falar de Justiça, um dos pilares sobre os quais se sustenta a civilização ocidental. E mais ainda, Justiça Restaurativa, horizonte generoso e promissor em direção ao qual o Brasil avança vigorosamente. Um dos pioneiros nessa estrada, o Juiz Egberto de Almeida Penido, nos honrará com a partilha de suas experiências, desafios e entraves para encurtar distâncias até o propósito almejado.
Com este tema abre-se auspiciosa passagem para a série de “três dígitos” que marcarão os Fóruns Temáticos do Comitê da Cultura de Paz daqui para frente.
Terça-feira, 11 de setembro, 19 horas, grande auditório do MASP – com entrada franca. Convide seus amigos, colegas, professores, e alunos. Esta é uma realização que construímos juntos, mês após mês, ano após ano, e que hoje ecoa em todos os cantos do país.
Felizes com a companhia, o incentivo e a generosidade dos voluntários que fazem acontecer estes Fóruns, congratulamos a todos – parceiros na missão e na ação,
Lia Diskin

Leitura recomendada: Desafios para os valores restaurativos na prisão

Os caminhos da Justiça Restaurativas já vêm sendo percorridos há três décadas, desde a Nova Zelândia ao Canadá, e muitas são as bem sucedidas iniciativas que buscam transformar o sistema judiciário em uma ação não apenas punitiva, mas fundamentalmente restaurativas das relações sociais.

Em julho de 2010, a Palas Athena promoveu o Seminário Internacional "Justiça Restaurativa: da reflexão à ação. Experiências de aplicação em escolas, comunidades e no sistema prisional", com as canadenses Elizabeth Elliott e Brenda Morrison. Foram dois dias de relatos e trocas de experiências enriquecedoras e inesquecíveis.

Infelizmente, a Dra. Elizabeth Elliott já não está mais entre nós, mas temos a sorte de poder compartilhar seu legado, como o artigo "Desafios para os valores restaurativos na prisão", traduzido para o português e disponível para download.

A seguir, veja o comunicado oficial enviado pela Dra. Brenda Morrison, em inglês.

Novas turmas dos Cursos de Justiça Restaurativa

O Programa Justiça 21, que desde o ano de 2005 oferece formação sobre procedimentos restaurativos para novos coordenadores de círculos, divulga o calendário dos cursos de Justiça Restaurativa para o segundo semestre de 2011.

As tradicionais turmas regulares de Iniciação em Justiça Restaurativa e de Formação de Coordenadores de Práticas Restaurativas acontecerão no mês de outubro. Em novembro, mais uma edição da turma intensiva em regime de imersão, destinada aos interessados residentes fora de Porto Alegre, cujo sucesso na primeira edição superou as expectativas e que, seguindo as turmas regulares, abre as inscrições com a lista de espera.

8 a 13/08: Semana do Desarmamento voluntário em M'Boi Mirim

Com o engajamento da Polícia Federal, da Guarda Civil Metropolitana, da Polícia Civil e da Polícia Militar, será realizada a Semana do Desarmamento voluntário na região do M’Boi Mirim, zona sul da capital paulista, entre os dias 8 e 13 de agosto.

Os postos provisórios serão duas unidades locais dos Centros de Integração da Cidadania, da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo. Os parceiros da Rede Desarma Brasil da região do M’Boi Mirim também têm se articulado muito e, sem seu engajamento, essa ação não poderia acontecer!

"Esperamos que essa experiência piloto, que facilitará a entrega de armas ao viabilizar seis postos de recolhimento na região e divulgar amplamente essa possibilidade, resulte em um maior número de armas entregues e maior segurança para a região", afirma Alice Andrés Ribeiro, coordenadora do projeto Controle de Armas do Instituto Sou da Paz.

Hoje, eu tenho um sonho

Este é o título do vídeo produzido pela International Organization for Standardization (Organização Internacional de Padronização) - ISO, quando do lançamento da ISO 26000:2010, de Responsabilidade Social. O seu processo de elaboração obedeceu a padrões diferenciados, com a participação de representantes da indústria, do governo, dos trabalhadores, consumidores, organizações não governamentais, de serviços, de apoio e de pesquisadores, preservando o equilíbrio geográfico e de gênero. A ABNT brasileira e a SIS sueca lideraram o grupo de 450 especialistas de 99 países membros da ISO e 42 organizações colaboradoras.

Em julho de 2010, foi lançada a ISO de Responsabilidade Social, que deverá ser aplicada por organizações de todos os tipos, nos setores público e privado, de forma voluntária. Caberá à sociedade a sua exigência.


Justiça Restaurativa e Administração

"O que a Justiça Restaurativa pode aprender a partir da teoria administrativa" é o título de um elucidativo artigo de Margaret Stout e João Salm, publicado pela Contemporary Justice Review, em maio de 2011.

Clique aqui para ler a íntegra, em inglês.